sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cartas de Iwo Jima


Junho de 1944. Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe), o tenente-general do exército imperial japonês, chega na ilha de Iwo Jima. Muito respeitado por ser um hábil estrategista, Kuribayashi estudara nos Estados Unidos, onde fizera grandes amigos e conhecia o exército ocidental e sua capacidade tecnológica. Por isso o Japão colocou em suas mãos o destino de Iwo Jima, considerada a última linha defesa do país. Ao contrário dos outros comandantes Kuribayashi moderniza o modo de agir, alterando a estratégia que era usada. Ele supervisiona a construção de uma fortaleza subterrânea, feita de túneis que davam para as suas tropas a estratégia ideal contra as forças americanas, que começam a desembarcar na ilha em 19 de fevereiro de 1945. Os japoneses sabiam que as chances de sair dali vivos eram mínimas. Enquanto isto acontece Kuribayashi e outros escrevem várias cartas, que dariam vozes e rostos para aqueles que ali estavam e o relato dos meses que antecederam a batalha e o combate propriamente dito, sobre a ótica dos japoneses.
(sinopse retirada do site: adorocinema.com)


Como todos já sabem, eu sou professora de História e fascinada por livros, músicas, séries e filmes. Então que trabalho é mais prazeroso do que explicar um tema como a Segunda Guerra Mundial através de filmes? Pois então, esse post vai fazer parte de uma série iniciada hoje de filmes sobre a II World War: E nada melhor que começar essa série com Cartas de Iwo Jima do diretor e produtor Clint Eastwood.

A história é contada por um novo ângulo. São os japoneses que estão mostrando a sua perspectiva da batalha travada em Iwo Jima contra os americanos. O objetivo traçado pelo próprio Eastwood é mostrar os comumentes vistos como inimigos sob uma nova ótica: a deles. Afinal, japoneses tinham família, pessoas como eu e você sob uma outra ideologia. E posso dizer que Eastwood efetivamente conseguiu o que queria. Se não soubesse o final da guerra torceria por eles... E ele ficou tocado a realizar essa posição da guerra (até ali inédita) por conta das filmagens do filme "A Conquista da Honra" - próximo a ser resenhado. Tudo porque ele encontrou documentos interessantes sobre o comandante das Forças das Japonesas: General Tadamichi Kuribayashi. Esse militar que foi a grande força nessa batalha, viveu e estudou nos Estados Unidos e se viu no meio de uma batalha contra antigos amigos...

Muitas vezes internalizamos o que Hollywood nos passa sem antes dar margem ao outro lado se explicar. Por isso costumamos pensar nos japoneses como loucos, frios e calculistas. Os grandes vilões e nos esquecemos que pouco tempo antes, eles disputavam as Olimpíadas de Los Angeles (1932) e viviam dentro do território americano como amigos, recebendo até homenagens e honras como militares que eram. O modo como vemos os kamikazes também é distorcido por nossa visão ocidental de lutarmos e retornarmos ao que nos é mais importante, enquanto para os orientais o maior objetivo é manter a honra e portanto, não é retornar para casa e sim morrer no campo de batalha sem se render. Nem que para isso só reste a opção do suicídio.

O filme tem uma direção primorosa, e tudo desde o cenário até os uniformes artisticamente e realisticamente pensado. É uma triste história de uma guerra entre poderosos que matou milhares e mexeu com todo o mundo a partir da ótica do dito inimigo. Com a performance belíssima de Ken Watanabe, super vale a pena assistir!

NOTA: 9,5 - Por que sempre dá pra melhorar... hehe

Um comentário:

Marcelo Lima disse...

Não sabia que tu era professora de história ! Que legal ") E to adorando as resenhas sobre filmes ")

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