sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

[REVIEW] Jogos Vorazes 3: Esperança parte 1



Quando você lê um livro ou saga, você cria um mundo de acordo com sua imaginação e com as descrições que a autora ou autor colocou na história. Geralmente é mais detalhado e tem muito do aspecto interno de cada personagem. Você sabe o que eles pensam e sentem quando agem ou reagem à determinada situação ou momento. Por isso tudo, compreendo perfeitamente a decepção que ocorre quando essas histórias que nos comoveram tanto são passadas para a tela grande. É um super desafio você conseguir transformar perfeitamente 300 páginas (para dizer um mínimo considerável) em um rolo de 2 ou no máximo estourando 3 horas. As perdas, supressões e modificações são parte do processo desde que se busque manter a essência e que se conte a história com início, meio e fim.
                E é exatamente isso que a adaptação cinematográfica de Jogos Vorazes tem conseguido fazer com genialidade. Eles estão mostrando que é possível, sim, adaptar uma saga e manter sua história apesar de cortes e mudanças. Acabei de chegar do cinema onde fui assistir The Mockingjay part 1 – título original – e tudo o que grita dentro de mim é que todos os produtores, diretores, roteiristas entre outros deveriam sentar e assistir como aula de como se fazer adaptações literárias para a Sétima Arte. Porque o trabalho foi impecável!
                SOBRE A HISTÓRIA: A curiosidade de quem não leu os livros (marido, por exemplo) era de como eles iriam continuar a história que tinha por foco nos outros filmes o fator dos jogos. Como mudar a storyline para abarcar agora a revolução que se iniciou em toda a Panem? Primeira sacada genial foi a introdução dos elementos das revoltas e rebeliões ainda no segundo filme “Em Chamas”. Algo que só foi visto pelos leitores no terceiro livro por estarmos acompanhando o ponto de vista da Katniss. Segunda sacada genial: Ninguém mexeu na personalidade dos personagens. Peeta, Katniss, Finnick, Haymitch, Presidente Snow ou Coin. Todos eles estão completos em essência e estão se desenvolvendo sem perder nada para a telona. Terceira sacada genial: Não americanizaram os pontos de vistas do livro. A aula de sociologia e política está lá.
                SOBRE OS ATORES: Jennifer Lawrence merece todos os Oscars sempre. Ela está cada dia mais lapidada em suas interpretações. Aquela louca (convenhamos, ela é muito piradinha nas entrevistas o que é algo que eu amo na Jen. Ela não é um produto.) sabe se transformar na sua personagem facilmente e passa verdade em suas atuações. A cena da Katniss se esforçando a fazer uma propaganda e depois a sua versão autêntica é uma das provas do quanto o trabalho de Lawrence está se aperfeiçoando. Mas não posso esquecer a Julianne Moore que só pra variar estava uma Alma Coin irrepreensível. Os olhos frios tão mencionados no livro estavam lá o tempo todo. Donald Sutherland, papai do Jack Bauer, figura já conhecida em tantos filmes vistos por mim e por todos (Orgulho e Preconceito, Pilares da Terra, pra dizer alguns) ficou irrefutável como Presidente Snow. Josh Hutcherson e Liam Hemsworth também não ficam atrás. E foi emocionante assistir o talento que perdemos de Phillip Seymor Hoffman como Plutarch Heavensbee.
Para encerrar, os efeitos, a maquiagem e a direção de arte também deram um show à parte. Não é o tipo de filme que ganhará qualquer menção da Academia, mas que além de um bom entretenimento para uma noite de feriadão, nos leva a refletir sobre o valor das ideologias e das revoluções. Precisamos lutar pelo que julgamos ser bom para nós, politicamente falando, mas precisamos saber que tudo tem um preço e um lado negativo. Nisso, Jogos Vorazes faz um trabalho brilhante. Acende a chama revolucionária do plano das ideias, porém mostra o pessimismo da realidade.

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